Mensalão: novas penas, velhos hábitos

Por Alex Tajra

A execução das penas da Ação Penal 470 tornou à tona a faceta mais podre da grande imprensa, escancarando até para quem não quer enxergar sua verdadeira ideia sobre Jornalismo. Mais do que prejudicar o debate em função do caso, a grande mídia desvalorizou demasiadamente a crítica sensata e apelou para o corporativismo da ‘bomba’; textos cheios de gracinhas, ironias e opiniões esdrúxulas, de ambas vertentes políticas, deflagrando a crise existencial ideológica que vem assombrando os jornalões e enterrando mais ainda o que teria de ser a finalidade do Jornal, a notícia crua e sua discussão.

Em um primeiro momento, cabe demonstrar didaticamente o porquê deste simplismo aliado a análises políticas artificiais, é muito mais simples assumir um lado patético e dizer ‘sou contra’ ou ‘sou a favor’ do que estudar empiricamente o julgamento do ‘Mensalão’. O grupo dos simplificadores divide-se em duas vertentes estúpidas: A primeira, maioritária, crê no julgamento dos mensaleiros a salvação da lavoura brasileira, a destruição do mal político do país e venera o herói da capa preta Joaquim Barbosa; a segunda bate desastrosamente na tecla do ‘golpe de sei la quem’ e acha que tudo não passou de uma retaliação e tentativa de destruir o Partido dos Trabalhadores.

É mais do que óbvio que a grande mídia, historicamente, trata o PT de uma forma particular e tendenciosa, mas é uma paixão cega ao Partido acreditar que um processo de mais de duzentos volumes e dez anos de análise não passou de um mal entendido.É importante ressaltar que não existe ideal presente nestas opiniões deflagradas, são posições tomadas em via essencialmente sentimental. Aliás, em nenhum momento foi questionado ou pelo menos refletido o fato de as execuções saírem exatamente em um feriado, e no feriado da República.

Não há como pensar que a prisão de meia dúzia de indivíduos possa realmente interferir em como lidamos com nossa política e nossa sociedade. Caberia a imprensa resgatar a pobreza e a miséria as quais ainda estamos diariamente submersos no Brasil para relatar de forma direta que o fato de José Dirceu ou Genoino estarem encarcerados não acaba com a fome ou exploração infantil no país