Por que você deve conhecer Lou Reed?

Por Luciano Dantas

Se eu tentasse responder a essa pergunta há 10 anos meu argumento certamente seria a canção I’m So FreeNão sei se existe uma ode tão bem feita à liberdade como esta. Porém, com 20 anos de idade e algumas pesquisas já realizadas, não é só de uma (baita) canção (diga-se de passagem) que faço minha defesa sobre à importância do influente e não-muito-popular Lou Reed para a música.

Nascido Lewis Allan Reed, no dia 02 de março de 1942, no Brooklyn – NY, Lou era pertencente a uma família judaica. Aprendeu a tocar guitarra ouvindo rádio quando ainda era um adolescente em Long Island, onde foi criado. Foi também durante sua adolescência que ele foi submetido a um tratamento de choque por conta de sua bissexualidade, em uma tentativa de “cura”, por iniciativa de seus pais. Não à toa, esse é o tema de muitas músicas ao longo de sua carreira.

Reed cursou Jornalismo na Universidade de Syracuse e apresentou um programa de rádio o qual tocava doo wop, rhythm and blues e jazz – estilos musicais que apontariam o caminho que seguiria como guitarrista. Ele foi considerado o 81º Melhor Guitarrista de Todos Os Tempos pela revista norte-americana Rolling Stone.

Lou escrevia constantemente sobre travestis, prostitutas, bares e drogas – e os consumia. Era muito franco ao tratar desses temas que até hoje são tabus sociais. Nos anos 60 fundou o Velvet Underground, uma das bandas mais influentes que já existiu – segundo a Rolling Stone, o álbum de estreia “Velvet Underground & Nico” é o 13º na lista dos 500 Melhores Álbuns de Todos Os Tempos. Artistas como Iggy PopDavid BowieDepeche ModeEcho & the BunnymenJoy DivisionSonic YouthJesus and Mary ChainNirvanaNine Inch NailsRadiohead e The Strokes foram declaradamente influenciados pelo Velvet Underground. Há inclusive uma lenda que diz que para cada disco vendido (do número pífio de vendas) do “VU & Nico”, surgiu uma banda diferente. Não há quem prove o que isso é verdade – e muito menos que seja mentira.

Na década de 70, com o surgimento do punk em Nova York, todos sabiam quem era Lou Reed. Nessa época ele já era uma espécie de lenda urbana que colecionava infinitas histórias a respeito de sua ambiguidade sexual e seu apreço excessivo pelas drogas.

“O rock’n’roll é tão grande que as pessoas deveriam começar a morrer por ele. Você não entende. A música lhe deu seu ritmo para que você pudesse sonhar… As pessoas simplesmente têm que morrer pela música. As pessoas estão morrendo por qualquer coisa, então por que não pela música? Morrer por ela não é bonito? Você não morreria por algo bonito?”

Se Lou morreu pela música eu não sei. Mas com certeza ele viveu e fez muito por ela. E sobre I’m So Free: essa música pode não ser a razão pela qual você deva conhecer Lou Reed, mas é com certeza uma ótima definição do que ele era.

“Há apenas algumas semanas, Lou fez uma sessão de fotos que deveria se tornar um anúncio impresso para a empresa de fones de ouvido Parrot, de seu amigo Henri Seydoux. O renomado fotógrafo Jean Baptiste Mondino tirou as fotos e esta foi a última foto que ele tirou. Sempre uma torre de força."

“Há apenas algumas semanas, Lou fez uma sessão de fotos que deveria se tornar um anúncio impresso para a empresa de fones de ouvido Parrot, de seu amigo Henri Seydoux. O renomado fotógrafo Jean Baptiste Mondino tirou as fotos e esta foi a última foto que ele tirou. Sempre uma torre de força.” – palavras do empresário de Lou, Tom Sarig.

RIP Lou.