Vale tudo do humor

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Por Hélen de Freitas, Juliana Lima e Nicolás Lepratti

Um dos gêneros artísticos que vêm se destacando muito no Brasil é a comédia. Em 2013, o seu crescimento foi bastante notável, inúmeros shows de stand-ups foram e estão sendo produzidos, sem contar o constante aumento de programas humorísticos nas rádios, televisões e internet. Alguns dizem que rir é o melhor remédio, impossível discordar de tal afirmação. Mas será que vale de tudo no humor para fazer o público rir?

Pela segunda vez, a Rede Bandeirantes é condenada devido a piadas ofensivas em seus programas. A liberdade de expressão é um direito garantindo pela Constituição Brasileira,mas existe uma diferença entre ridicularizar, denegrir e ofender a reputação alheia e a liberdade de expressão. Em outubro deste ano, o humorista Danilo Gentilli, do programa “Agora é Tarde”, foi processado por danos morais pela técnica de enfermagem Michele Rafaela, conhecida por ser a maior doadora de leite humano do Brasil. O comediante fez piadas comparando-a com um ator pornô, além de divulgar, sem autorização, sua foto amamentando. A doadora se sentiu ofendida e humilhada e vem sendo vítima de constantes brincadeiras maldosas.

Muitos sites criticaram duramente a piada feita por Danilo Gentili. Contudo, alguns, rapidamente, posicionaram-se e afirmaram que o humor não deve ter limites. Octavio Caruso, em seu texto O Humor Deve Ter Limites?, afirma que “Quando um povo se sente regularmente ofendido por comediantes profissionais, você pode ter certeza que o nível de interpretação de texto e cultura geral é muito baixo”. Para ele, a piada não deve ser levada a sério.

O limite do humor é constantemente questionado. Em 2009, o humorista Rafinha Bastos, ex-integrante do programa CQC, também da Rede Bandeirantes, fez uma piada osfensiva a cantora Wanessa Camargo e seu futuro filho. Além de ser condenado a pagar 10 salários mínimos a título de indenização para cada um dos autores da ação: Wanessa, Marcus Buaiz, seu marido, e o filho do casal, José Marcus, o comediante pediu demissão da emissora duas semanas após o seu afastamento.

Com limite ou sem limite a piada é feita para fazer o público rir. Grandes comediantes não precisavam falar para que a plateia gargalhasse, como Mr. Bean. Contudo, não podemos negar que a história da comédia mundial sempre foi feita de um humor elegante e de um excessivamente grosseiro. O problema não está na piada, mas sim ao contexto em que está inserida.