Excesso de troca-troca na Câmara sufoca democracia no Brasil

Foto: (Divulgação) TSE julga criação de partidos

Por: Alex Tajra

Outubro marca a rodada de definição dos candidatos à presidência da República e o processo representativo brasileiro sofre com um excesso de siglas partidárias que acabam por atomizar a ideologia de cada respectivo grupo, já que a vasta maioria destes partidos resumem sua atuação como aliados dos nomes mais prestigiados, mas não menos ultrapassados, como o PT e o PSDB. A pluralidade de instituições políticas é uma conquista após décadas de totalitarismo, contudo a banalização do partido em si é uma grande lacuna na democracia não só brasileira.

A população do maior país da América do Sul acordou desnorteada na última semana de setembro quando foi anunciada pelo TSE a decisão que aprova a criação de mais dois partidos – o PROS (Partido Republicano da Ordem Social) e o Solidariedade – gerando uma inescrupulosa dança das cadeiras entre os parlamentares, algo impensável em um sistema político minimamente desenvolvido. Até então foram registradas 32 mudanças de partido entre os parlamentares, e o prazo de término para requisita-las expira no próximo sábado(5).

No Brasil, os partidos vêm se tornando cada vez mais uma alegoria de pessoas que, invertendo os valores, colocam-se a frente das próprias instituições. O vice-presidente Michel Temer, em entrevista ao jornal Estado de S. Paulo, afirmou que este número exorbitante de partidos ‘não é útil para o País’.

O mais peculiar disto tudo é que, nem o PROS, nem o Solidariedade apresentam vieses ideológicos esclarecedores, muito menos propostas inovadoras. O primeiro possui políticos de todas as vertentes além de uma sigla perigosamente autoritária; já o segunda de novo só seu registro no TSE, pois o partido foi criado e será comandado pelo líder sindicalista Paulinho da Força, agora focado em unir forças com a oposição em âmbito federal. Aglomerando 32 legendas, o contexto atual permite dizer que não existe mais identidade nas siglas, apenas um interesse de encorpar este ou aquele bloco.