O Verão de Skylab: resgatando a simplicidade perdida

Por Tomás Duarte*

Os lançamentos recentes de filmes hollywoodianos, com enredos aparentemente interessantes e produções milionárias, decepcionam o espectador, por conta de roteiros fracos e muitos excessos (mais efeitos especiais do que atuação, por exemplo).

Ao mesmo tempo, a onda cult que se espalha cria filmes cheios de dramas e reflexões carregadas demais (às vezes confusas), quando o fã da telona quer apenas assistir algo simples. Apesar de ser classificado como cult, o francês O Verão de Skylab, de Julie Delpy, parece ter surgido como uma alternativa a estes dois extremos. De narrativa simples, o filme cria tensões diferentes entre os personagens.

Uma família se junta para comemorar o aniversário da bisavó, em sua casa no interior da França, enquanto aguarda pelo choque de um satélite (Skylab) com a Terra. A família é composta por pessoas diversas: um tio comunista, um ex-oficial do exército traumatizado, uma pré-adolescente confusa pelo amor, um adolescente querendo mostrar que é “adulto”, um avô com distúrbios psicológicos.

A garota pré-adolescente sempre coloca a possibilidade de todos morrerem, caso o Skylab caia na França. Os adultos mostram-se frios em relação a queda do satélite, mas isso só reforça as cenas de conflito. As cenas de alegria e entrosamento entre eles servem para fazer um questionamento básico: vale mesmo a pena guardar rancor da vida? O filme é um retrato fiel das relações humanas e do convívio familiar.

*Editoria de Música