Ser professor e não lutar é uma contradição pedagógica

(Foto por: Patricia Iglecio)

Por: Carolina Ellmann

A categoria dos professores da rede municipal do Rio de Janeiro entrou em greve no dia 08 de agosto, os profissionais reivindicavam uma série de melhorias nos cargos e salários. Um plano foi aprovado pelos vereadores em uma sessão no dia 01 de outubro, logo após essa sessão, o prefeito Eduardo Paes sancionou e acabou virando Lei. O problema é que esse plano não contempla a todos, a reivindicação é para que essas melhorias alcancem todos os profissionais, o que foi aprovado pelo prefeito, é que apenas os professores que trabalham 40 horas semanais (cerca de apenas 7% da categoria) sejam beneficiados.

Após este triste episódio, os educadores foram às ruas protestar e acabaram resgatando um pouco do sentimento que junho nos deixou, as passeatas foram duramente reprimidas pela Polícia Militar, que utilizou as mesmas técnicas assustadoras que vimos nos atos contra o aumento da tarifa, munidas de spray de pimenta, balas de borracha e bombas de efeito moral e até de ameaças profissionais, como o corte de ponto.

No dia 15/10, também conhecido como o dia dos professores, aconteceram diversas manifestações pelo país, em apoio à causa levantada pelos profissionais cariocas. Os atos do Rio e São Paulo foram os que concentraram um maior número de pessoas na rua e ambos acabaram em confronto com a PM.

Desmilitarização da Polícia

O tipo de ação usada pela PM para reprimir protestos é muito comum, mas só se tornou visível para grande parte da população após as jornadas de junho, muitos manifestantes foram às ruas depois de verem as noticias dos abusos na internet. Muito se falou sobre repressão, mas poucos veículos abordaram uma questão que parece inadiável: a desmilitarização das polícias.

Alguns falam em “despreparo” desses profissionais para lidar com essas situações, mas o debate é mais extenso do que isto, ao contrário das afirmações que circularam, a verdade é outra: eles são preparados para atuar desta maneira. Essa cultura fica clara ao assistirmos o filme “Tropa de Elite”, onde o treinamento dos recrutas é extremamente agressivo e violento.

Esse modelo falido de segurança pública, que além de se mostrar ineficiente, fere os direitos humanos, abre espaço para que dentro de manifestações (como a dos professores), ocorram prisões totalmente arbitrárias – por exemplo, pessoas sendo presas por porte de vinagre e também violência física contra os manifestantes.

Veja mais sobre a ação dos policiais.