Entrevista com Ricardo Freire

Por André Carlos Zorzi, Guilherme Raia, Gustavo Ache Saad e José Ayan Jr
CP = Café Pautado (Perguntas do blog)

RF = Ricardo Freire (Respostas do jogador)
CP: Como surgiu a oportunidade de jogar no Japão? Por quais outros clubes você já passou? E qual sua posição?
RF: A Oportunidade surgiu devido ao pai da minha namorada ser japonês. Ela estava indo visitá-lo, eu aproveitei e fui tentar o futebol, já que estava sem clube. Joguei nas categorias de base da Portuguesa e do Corinthians e atuo como primeiro volante.

CP: Qual foi sua maior dificuldade na adaptação, tanto dentro quanto fora de campo?
RF: A maior dificuldade com certeza é o idioma.

CP: O Kashima Antlers é um time conhecido por utilizar técnicos brasileiros há muitos anos. Como se dá a comunicação deles com os jogadores japoneses, há um intérprete? Você acredita que parte das instruções são perdidas pela barreira da linguagem?
RF: Existe Intérprete sim, mas eles perdem muitas instruções por não falar o idioma.

CP: Qual sua relação com Toninho Cerezo, e a dele  com jogadores brasileiros e japoneses?
RF: A minha relação com ele é como qualquer outro profissional. E com os outros jogadores tantos brasileiros como japoneses são iguais, relação de professor e aluno.

CP: Com cerca de 16 mil pessoas por partida, o Japão está à frente do Brasil no ranking de melhores médias de público do mundo. Como os japoneses encaram o futebol? Você notou algum crescimento na popularidade do esporte no tempo em que morou no país? Há transmissões e divulgação frequente dos jogos?
RF: Os japoneses gostam menos de futebol do que brasileiros, mas como no Japão a questão de violência em estádio não existe, e por ingressos serem baratos, qualquer um pode ir assistir sem problema, o futebol aqui cresceu muito desde que o Zico veio pra cá, porém os jovens japoneses ainda preferem o beisebol ao futebol.

CP: Quantas competições um clube grande japonês, como o Kashima, costuma jogar por ano? Como é feito o preparo físico, há pré-temporada?
RF: Em média duas competições; os treinos aqui são intensos, ruim para os atletas por conta do clima que é muito frio ou muito quente. Existe pré-temporada sim.

CP: Você aceitaria jogar pela seleção japonesa, ou por alguma outra que não o Brasil, caso recebesse o convite para se naturalizar?
RF: Com certeza aceitaria, eles são muitos justos e gostam muito de brasileiros.

CP: Você fala japonês? Pensa em aprender?
RF: Não, não falo japonês, mas penso em aprender sim, até porque é essencial absorver a cultura de um país onde você mora.

CP: Como faz para não se manter afastado de suas raízes no Brasil, como na culinária, música?
RF: A culinária brasileira que tem aqui não se compara com a do Brasil.. Mas dá pra lembrar um pouco o gosto do Brasil sim, e músicas ouço com muita frequência.

CP: Você ainda planeja jogar em algum clube brasileiro no futuro?
RF: Com certeza, acho que é um sonho de qualquer jovem brasileiro que conseguiu o futebol fora do país!