Rock in Rio: por um público mais tolerante

Por Luciano Dantas

O Rio de Janeiro recebeu no mês de setembro de 2013 a 13ª edição do Rock in Rio, sendo a 5ª na cidade maravilhosa – o festival também já aconteceu em Lisboa e Madrid. Mais uma vez, Roberto Medina trouxe ao público um grande leque de artistas no line-up do evento. Atrações que variaram entre Elba Ramalho e Iron Maiden, passando pela diva pop Beyoncé e os mascarados adoradores de lúcifer da banda Ghost, da Suécia.
Entretanto, ainda que fosse a 5ª edição do festival no país, o público brasileiro manteve – em sua maioria – a posição intolerante à diversidade musical apresentada na Cidade do Rock. Para entendermos melhor como se dá o conflito entre roqueiros e artistas de outros estilos no Rock in Rio, vale a pena conferir algumas das polêmicas já vividas no festival, desde sua primeira edição, há 28 anos:

1985: a banda Kid Abelha e os cantores Eduardo Dusek, Ney Matogrosso e Erasmo Carlos tiveram suas apresentações duramente criticadas e reprovadas pelo público, sendo que no caso dos últimos, houve uma verdadeira chuva de objetos atirados ao palco.

1991: o constrangimento da 2ª edição do festival ficou por conta, mais uma vez, do público e foi no show do polêmico Lobão. O carioca foi escalado para tocar em um dia dedicado ao Metal (heavy-metal), entre a apresentação dos brasileiros do Sepultura e os ingleses do Iron Maiden. Os espectadores, enfurecidos por um pífio show de 30 minutos do Sepultura não tiveram a mínima cordialidade e respeito com Lobão e em todas as oportunidades em que o artista tentou tocar sua música, mais uma vez atacaram objetos no palco. Sendo assim, o carioca retirou-se do palco – mas antes, deixou um recado à altura daqueles que o agrediam.

2001: já em sua 3ª edição, o alvo da vez foi o baiano Carlinhos Brown, que ao tentar levar seu Axé-Music justamente em uma noite do rock – a noite que traria os americanos do Guns n’ Roses ao evento – acabou sendo agredido com copos arremessados pelo público.

Nas duas últimas edições, sendo uma em 2011 e outra, a última, em 2013, o público não chegou a ponto de arremessar objetos aos palcos do festival. Entretanto, fora da Cidade do Rock, antes, durante e após o evento, mensagens de boicote e hostilidade ao Rock in Rio foram disseminadas em diversas redes sociais. Para quem acompanha páginas como o whiplash, não foi difícil se deparar com frases como “Rock in Rio por que? Cadê o rock?” e outras mais – que não só tentavam manchar a imagem do festival de música, que o Rock in Rio é, e graças a Deus, sempre foi, mas também de artistas que não são rotulados como roqueiros.

A partir deste breve levantamento, fica clara a intolerância do público, que mesmo sabendo com antecedência de pelo menos 01 ano os artistas que tocarão no festival, ainda hostiliza e tenta descaracterizar o evento que tem como proposta, desde seu início trazer música não só ao Brasil, mas a todo o mundo, uma vez que é transmitido por todo o planeta, com status de mega evento.