Três Mortes e Um Vazio

Por Luciano Dantas

Tudo começou no dia 06 de março de 2013, quando Alexandre Magno Abrão, o vocalista Chorão, da banda Charlie Brown Jr. foi encontrado morto por seu motorista, de madrugada, no apartamento onde vivia. A comoção nacional foi imediata: ali se ia um dos músicos mais influentes da história da música nacional da atualidade. Com o Charlie Brown, Chorão levou sua mensagem a jovens de todas as classes sociais, sempre sendo muito fiel à sua própria vida, deixando claro em cada nova letra o momento em que vivia. Esse foi, talvez, um dos motivos que mais aproximou tanto os fãs do músico, em uma relação que, na prática era distante, mas se fazia muito próxima a cada verso de rima.

No dia 05 de maio, dois meses depois de Chorão, foi a vez de Pedro Sérgio dos Santos Maia de Sousa. O guitarrista e músico baiano Peu Sousa foi encontrado pela mulher, enforcado com o próprio cinto no quarto do casal. Peu era um artista respeitadíssimo na cena underground e até mesmo no “mainstream” nacional. O artista já havia tocado com a cantora Pitty, feito turnê com Carlinhos Brown, Marcelo D2 e até com a banda de seu padrasto, o Novos Baianos, quando tinha apenas 19 anos.

Quatro meses após a morte de Peu e seis meses após a morte de Chorão, foi encontrado morto em seu apartamento em São Paulo, o baixista Champignon – nascido Luis Carlos Leão Duarte Junior, em Santos. Champignon suicidou-se com um tiro na boca, na noite do dia 09 de setembro de 2013. O artista havia perdido seus dois amigos, citados anteriormente, e tentava seguir em frente com sua nova banda, A Banca. O baixista santista já havia trabalhado com Chorão e foi, inclusive, um dos fundadores do Charlie Brown Jr. Já com Peu Sousa, Champignon trabalhou na banda Nove Mil Anjos, que tinha também a participação do músico Junior Lima, como baterista.

Pra mim, fica clara a lacuna que se instaura no Rock Nacional com a perda desses três artistas. Pessoas que fizeram e com certeza ainda farão a cabeça de muito jovem que se identificará com as letras e terá nas canções uma espécie de mantra a ser seguido para manter a paz de espírito, para assim, quem sabe, não perder a fé na própria vida e fazer como esses ídolos: arrancarem-se da própria existência.

R.I.P.

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