Por uma nova mentalidade nos estádios brasileiros

Por Gustavo Saad e José Ayan Jr

Com a proximidade da Copa do Mundo, alguns estádios feitos para a competição começam a entrar na fase final de suas construções e outros já vão sendo utilizados no Campeonato Brasileiro, colocando um velho assunto em discussão: o da violência no futebol nacional. As novas arenas não tem divisão entre as torcidas, já que estão no “padrão Fifa”, deixando uma dúvida: nossas torcidas estão prontas para esse novo quadro? Essa resposta foi dada na partida entre Vasco e Corinthians no Mané Garrincha, em Brasília, quando os torcedores organizados do clube paulista, atravessaram o estádio sem serem incomodados para entrar em confronto com torcedores do time carioca.

Em 2008, um ano depois do anúncio que a maior competição de seleções viria para o Brasil, Maurício Murad, sociólogo e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) divulgou um estudo feito desde 1999 no qual colocou o Brasil no topo da lista de mortes por violência no futebol, mesmo assim, em nenhum momento foi feita uma campanha de conscientização para o público que frequenta os estádios. Murad propôs também alguns pontos que diminuiriam os conflitos, alguns já colocados em prática, mas sempre sendo ações improdutivas, já que pela falta de fiscalização, nem sempre a lei é cumprida. A estudiosa de violência em grandes eventos públicos Heloísa Helena Baldy dos Reis defende a criação de uma polícia especializada, que conheça a cultura torcedora e suas rivalidades ,em entrevista ao Lance!.

Nas mortes por violência no futebol – mais de 150 registradas no Brasil – as organizadas se destacam, com os confrontos ocorrendo geralmente entre torcedores de clubes da mesma cidade, mas a união entre as facções de estados diferentes aumentou esse número. No caso já citado, da briga em Brasília, é valido lembrar que a Força Jovem, organizada do Vasco é aliada da Mancha Verde, do Palmeiras, maior rival do Corinthians. Uma marca recente desses confrontos é que passaram a ser premeditados, com a marcação deles pelas redes sociais.

Maurício Murad relaciona a violência no futebol brasileiro à problemas culturais do país: “Cresceu a violência no futebol por que cresceu a violência no país. Cresceu a violência no país por que a impunidade e a corrupção são cada vez maiores”. A impressão que fica é que nosso público não está pronto para as novidades que estão por vir no futebol brasileiro e que essa questão deve ser tratada de modo especial pelas autoridades.