Extinção do voto secreto acende divergências entre Câmara e Senado

Por Alex Tajra

Ressuscitada após 12 anos de sua criação, a PEC 349, destinada a abolir o voto secreto no Congresso Nacional e nas Assembleias Legislativas, veio à tona em meio a uma situação emblemática onde o deputado Natan Donadon, condenado a mais de 13 anos de prisão, teve seu mandato intocado por decisão da própria Câmara, Este é o grande fator/conveniência que desperta uma interrogação na eficácia da Democracia representativa.

A reabertura deste projeto é uma luz no fim do túnel da transparência, por dois motivos principais; O primeiro é de expor como e quando cada membro do legislativo se comporta, posto que o cidadão, como eleitor, tem o total direito ter o conhecimento de todos os posicionamentos do parlamentar eleito; o segundo é de confrontar diretamente um lobby político lançado pelo Senado em virtude de barrar a PEC 349, onde uma outra proposta com a característica de vetar somente o voto secreto a respeito de cassações (PEC 196) corre em uma bancada especial na Câmara, em tese em estágio de aprovação mais avançado.

Neste sentido a imprensa obteve um êxito primordial em divulgar minunciosamente os atrelamentos por dentro da Câmara, principalmente na briga nos bastidores superficialmente retratada nesta queda de braço entre PEC 349 e PEC 196. Veículos impressos e digitais divulgaram uma forte corrente dentro da Casa na qual o voto aberto é preferível a mais da metade dos Senadores,  sem fechar os olhos para uma resistência endossada pelo presidente Renan Calheiros, atual político mais influente do país.

Na minha opinião, cabe a mídia destrinchar completamente o caso expondo como cada político vai se portar perante esta  evolução não só no âmbito do Legislativo, mas na própria ética de cada parlamentar eleito, já que a tendência da PEC 349 é detalhar como cada um deles se porta perante as decisões públicas. É de suma importância que esta proposta entre em vigor o mais rápido possível, para principalmente oxigenar a política nacional e a participação do povo neste processo.