POR UM NOVO CALENDÁRIO

Por André Carlos Zorzi e José Ayan Jr.

Quando se fala de calendário, é consenso que há falhas na configuração utilizada na temporada brasileira. Com o novo formato da Copa do Brasil, um clube pode jogar até 87 jogos em apenas um ano. Usando como parâmetro os números dos maiores campeonatos europeus, todos têm cerca de 60 datas destinadas a competições.

Diversos seriam os benefícios no caso de uma adequação do nosso calendário ao europeu, desde um período maior de férias e pré-temporada – a feita no Brasil hoje não dura mais que três semanas – até o fim dos desfalques em datas da Fifa para convocações ou a diminuição da rotatividade dos elencos no meio da temporada, já que a janela de transferências europeia não aconteceria no meio do maior torneio nacional, passaria a ocorrer de modo paralelo ao planejamento das equipes para a temporada seguinte. Há também o fator financeiro, essa adequação permitiria aos clubes fazerem amistosos fora do país, uma excelente fonte de renda para os clubes de futebol.

Esse processo deve ser discutido tomando em conta as peculiaridades do nosso futebol: os estaduais, que são competições existentes apenas no Brasil, não devem ser extintos, pois seria a causa da falência de centenas de clubes. Entretanto a diminuição de datas direcionadas a essa competição é algo que amenizaria as maratonas de jogos que os times enfrentam nos dias de hoje.

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Em conjunto com esse ajuste, a criação de uma Supercopa do Brasil, um campeonato envolvendo os campeões do brasileirão e da Copa do Brasil do ano anterior, daria um charme especial ao início da temporada nacional, colocando frente a frente duas equipes teoricamente fortes com chances reais de conseguirem bons resultados.

Sugestões vêm sendo apresentadas por todos os lados, o presidente do Santos, Luiz Álvaro de Oliveira já se declarou a favor da adequação, o Ministro do Esporte Aldo Rebelo defendeu a criação de uma liga de clubes, com apoio do ex-diretor da CBF, Andrés Sanchez. Em Novembro de 2012, a Pluri Consultoria, com aval de diversos clubes apresentou um projeto para a CBF, que com a velha mentalidade conservadora de seus dirigentes, nem colocou o assunto em discussão.

O fato é que o futebol brasileiro precisa de mudanças pontuais que dificilmente ocorrerão se houver a manutenção do grupo que está no poder do esporte mais popular do nosso país.