“HANNAH ARENDT”: UMA OUTRA PERSPECTIVA DO HOLOCAUSTO

Por Ana Luiza Fujita

“Toda dor pode ser suportada se sobre ela puder ser contada uma história”,

Hannah Arendt

Estreou em agosto, em alguns cinemas de São Paulo, o filme da filósofa, política, alemã e judia Hannah Arendt. Margarethe von Trotta, diretora do longa, após realizar um profundo estudo sobre Hannah, decidiu relatar a vida da filósofa após sua fuga para Paris e migração para os EUA como refugiada política. Protegida pela América, a protagonista tem a oportunidade de acompanhar, em Israel, o julgamento do nazista Adolf Eichmann para o jornal The New York Times.

O auge da narrativa é atingido quando Hannah relata o holocausto de maneira diferente daquela que os judeus estavam acostumados, ao dizer que aqueles que cometeram os crimes de guerra eram “incapazes de pensar”. Esse raciocínio fez surgir o termo “banalidade do mal” – criado pela própria política alemã. Ela causou polêmica e revolta por ter afirmado que alguns judeus colaboraram com o massacre praticado pelos nazistas.

A produção cinematográfica faz o espectador refletir acerca do holocausto. Entretanto, o diretor preocupou-se em salientar a dificuldade enfrentada pela personagem principal devido ao seu desejo de ser filósofa no cenário da Segunda Guerra Mundial. Para atingir esse seu objetivo, Hannah passa por um profundo processo de sofrimento e exclusão que toca o espectador. O longa, apesar de criticado por não ter aproveitado suficientemente a história de Arendt, está apresentado enorme sucesso de bilheteria – o que, certamente, é um ótimo motivo para conferir o filme.