O escândalo do metrô e a omissão da mídia

Por Patricia Iglecio

O recente escândalo da corrupção referente ao metro do Estado de São Paulo pouco tem sido retratado na grande imprensa, a repercussão certamente não é proporcional aos milhões de reais que as multinacionais Siemens e Alstom encaminharam aos políticos brasileiros para que eles assinassem contratos para instalação do metro.

O PSDB, que há 20 anos está no governo do Estado de São Paulo, foi o maior conivente com fraudes em licitações no transporte público, através da formação de carteis. Entretanto o governador Geraldo Alckmin insiste em negar a participação do partido.

O trabalho de apuração do jornalista Bryan Gibel, delator das propinas realizadas pela Alstom e pela Siemens contou com as investigações dos países França, Suíça, Inglaterra e Estados Unidos, que desde 2008 já investigavam os esquemas de corrupção dessas multinacionais em muitos países. Os suíços advertiram o MPE sobre o caso com os políticos brasileiros, que passaram a ser investigados, deputados do PT também escreveram um dossiê sobre o caso, mas não conseguiriam a CPI. Em sua matéria publicada pela Carta Capital no dia 25 de agosto, Gibel relata toda a trajetória percorrida até chegar no ex-executivo que revelou o escândalo.

Diante dessa situação o Sindicato dos Metrô Viários pediu ao Movimento Passe Livre para chamar um ato, que aconteceu no centro da grande São Paulo no dia 24 de agosto, movimentos sociais e partidos reuniram-se totalizando 4 mil pessoas em uma manifestação contra o governador Geraldo Alckmin e a corrupção do metro. No momento político que vive o país, após as jornadas de junho que foram capazes de derrubar o aumento da tarifa de ônibus em diversas cidades brasileiras, uma revelação de que o transporte publico brasileiro está nas mãos de interesses privados deveria ser noticiada pela grande imprensa.