Seu Chico: reinventar é criar

Por Beatriz Martins e Gabriela Abreu

Vindos de Pernambuco, a banda Seu Chico vem reinventando as músicas do grande mestre Chico Buarque, dando uma nova roupagem às suas melodias e fazendo sucesso nas casas noturnas de todo o Brasil. No último sábado -17 de agosto- a banda Seu Chico, se apresentou no Estúdio Emme, em São Paulo. Com a casa lotada, o público cantou por mais de uma hora e meia os sucessos de Chico Buarque na voz de Tibério Azul. O show se iniciou com a música “Paratodos”, em seguida a banda tocou “Caçada”, passando por sucessos como “João e Maria”, “Roda Viva” e “Samba do Grande Amor”. O ápice do show foi quando tocaram “O que será” e fizeram o palco e o público se conectarem numa única atmosfera de amor à arte.

Cafépautado conversou com Tibério Azul, o vocalista.

 Como surgiu o projeto da banda, por que músicas de Chico? “Na verdade, é uma resposta que a gente não sabe dar muito bem, porque foi espontâneo. Durante algum tempo, em Recife, surgiu essa vontade. E de repente rolou de “vamos fazer um show”. Passamos por vários artistas e, chegando em Chico, percebemos duas coisas legais: a obra dele é gigante e  há uma grande dificuldade técnica nas músicas. No inicio, nós não éramos uma banda, fomos fazer um show específico numa casa noturna de Recife e o show lotou. Então o dono da casa nos convidou para uma temporada e a fizemos em três meses. Encerramos a temporada por excesso de público. Depois disso decidimos virar uma banda.”

Nos arranjos vocês trazem um pouco do nordeste para as músicas do Chico? “Sim, mas não é intencional, é instintivo. Os músicos tem muito essa raiz. Eu digo que Seu Chico é um recorte dos músicos que participam, é mais do que uma banda, é um monte de retalho que se junta, não é uma coisa que a gente mistura e vê no que dá”.

Quando questionado sobre a escolha do repertório e influências para formar arranjos às músicas, Tibério disse “A gente não era fã de Chico Buarque, era mais pelas canções, pelo desafio, era mais isso. A escolha do repertório se dá pelos nossos arranjos, como se a gente tivesse se apropriado da música e qual é a nossa versão que a gente mais gosta”.

A banda foi convidada por Chico Buarque para uma partida de futebol no Rio de Janeiro, eles se encontraram e, segundo Tibério, Chico não sabe o impacto que causa às pessoas. “A gente se achava não fã de Chico Buarque, até encontrar com ele. Foi um clima meio tenso, estávamos sentados e ninguém se levantou, só que foi engraçado, a gente ficou sem assunto. Mas a sensação que tive conversando com ele, é que ele é tão comum que é estranho. A vontade que dá é de você balançá-lo e dizer: Você é Chico! Você tá ligado que você é Chico? A sensação é que ele não sabe. Ele não sabe o impacto que ele causa.”

Sobre o meio de divulgação da banda, Tibério disse: “A gente não é bom com internet, a nossa maior força é o boca-a-boca, é incrível! No começo da banda, todo show que a gente fazia era temporada, no primeiro show dava uma galera, no segundo o dobro, e depois lotava… Tudo pelo boca-a-boca”.

Ao final, eles se despediram e foi impossível não notar o entusiasmo do público. A banda conseguiu despertar uma variedade enorme de sentimentos: quisemos amar, sorrir, chorar… Ou então, só deixar o corpo e a alma sentirem essa mistura de sensações que os embalos e ritmos tiveram o poder de nos causar ao longo do show.